Pozinhos de muito… [para serem lidos em voz alta!]

 

Image

Os estereótipos que se criam em redor de ideias, formas, corpos. As caixinhas que se fecham e não se conseguem abrir. O vermelho. (Mais uma vez aparece o vermelho!) Objectos, cores, cheiros …tudo guardado numa caixinha. Tudo bem arrumado. Isto é isto, aquilo é aquilo e o isto tem tudo o que é suposto ter o isto e o aquilo, o aquilo.

As misturas tornam-se complicadas, difíceis.

Mas a força das mulheres é impressionante. Ao ouvir a Carolina ler o poema ‘Waiting’ de Faith Wilding fiquei nervosa. Deu-me vontade de chorar. De ficar ali fechada. A espera, o sufoco da espera. A espera para isto, a espera para aquilo, a espera. A espera e a paciência de esperar. Esperar, esperar, esperar…

Tens de ser livre e aberto para que as coisas possam acontecer. Não te feches! Fica aqui! Ou vai, vai, vai…

Quem são estas pessoas? Quem és tu? Quem sou eu? Onde fica o cruzamento entre tudo? Onde é que se criam as possibilidades de várias faces aparecerem e de outras identidades serem conquistadas? Estás aqui? Como sabes? Silêncio.

Dividir as pessoas. Estar apenas junto. Ficar aqui. Nós e os outros. Mas quem são os outros? E quem somos nós? Uma construção de identidades. Construções de verdade? Certo e/ou errado. Tocar a realidade. Ficar ali a ver mas a ver mesmo.

Identidade: mosaico complexo de informações que constroem o lugar de posicionamento – construção, reconstrução constante.

Vou-te contar uma história: coloquei uma lente diferente para reflectir sobre esta realidade. Ela é azul e por isso vejo tudo de outra cor. Posso, não posso? Aproximo-me, afasto-me… chego perto, vou para longe. Eu sou, eu sou, eu sou….sou…proximidade e distância!

“O que importa para o dialéctico é trazer o vento da história mundial para as suas velas. Pensar para ele significa: içar as velas. O importante é o modo como elas são içadas. As palavras são as suas velas. O modo como são içadas convertem-nas em conceitos” [Walter Benjamin]

Eu: “Barcelona, posa’t guapa!” Uma viagem. A crítica à cidade que se constrói. Os piões, o movimento, as espirais. Lápis de cor para colorir traços, para vincar ideias. Aliviar tensões num processo em construção. Os panos como paixão, as cores, as memórias, as pessoas, as partilhas. Transportar ideias. O deslocamento das imagens. Um batom vermelho, um rímel preto, um colar: poder e força. A ligação à terra. Ficar apenas ali. Ficar.

Por ser que nada

Por ser que voa

Por ser que fala

Que pensa

Se aperfeiçoa

[Um pensamento, Walter Franco]

Image

Ana Estevens